Entrevista sobre o livro Tesouros da Índia para a civilização
sustentável
31-03-2003
O arquiteto e ecologista Maurício Andrés Ribeiro lança
em 2003 o livro Tesouros da Índia para a civilização
sustentável, editado por Santa Rosa Bureau Cultural,
de Belo Horizonte.
A seguir, ele conversa conosco sobre a sua última obra.
1. Escrever sobre a Índia não é muito comum, no
Brasil. Como se iniciou seu interesse por aquele país?
Na década de 70, comecei a me interessar pelas questões
ambientais. Trabalhava no Centro Tecnológico, em Belo Horizonte,
e candidatei-me, no CNPq, a bolsa de estudo no exterior. Enquanto vários
de meus colegas optaram por fazer doutorado na Europa e nos Estados
Unidos, escolhi realizar um estudo comparativo Brasil-Índia,
no Instituto Indiano de Administração, em Bangalore. Ignacy
Sachs, economista que se formara em São Paulo e fez seu doutorado
na Índia, me forneceu informações valiosas para
aproveitar bem aquela experiência.
2. Como foi viver e estudar na Índia?
São muitos os benefícios de estudar na Índia,
em termos de desenvolvimento humano e intelectual pois vivenciamos uma
cultura milenar, com valores distintos dos ocidentais. Além disso,
em geral os estudantes brasileiros vivem no exterior de forma modesta,
mas na Índia, o custo de vida é baixo e permite bom conforto
com poucos recursos. Estabeleci ampla rede de contatos com os quais
ainda mantenho relações. O economista Dr. Vinod Vyasulu,
por exemplo, que foi meu orientador à época, é
meu amigo até hoje.
3. E a situação social da Índia, não impressiona
muito os brasileiros?
Em geral temos impressões negativas sobre os aspectos sócio-econômicos
da Índia. Circula a idéia de que a pobreza é extrema.
No entanto, é pouco conhecido o fato de que a Índia tem
índices de violência urbana e rural muito mais baixos do
que aqueles que ocorrem no Brasil, e tem reduzido gradualmente suas
desigualdades. A apropriação peloss indianos mais ricos
da riqueza nacional vem decrescendo nas ultimas décadas , enquanto
os mais pobres têm aumentado a sua participação
nessa riqueza, processo inverso ao que ocorreu no Brasil. A Índia
ensina a resolver problemas sociais em condições de escassez
extrema, a reduzir desperdícios, a trabalhar eficazmente sem
muitos capitais ou recursos financeiros. O Fórum Social Mundial,
que ocorrerá na Índia em 2004, será uma oportunidade
para os brasileiros que lá comparecerem, tomarem conhecimento
desses avanços.
4. Quais são as principais personalidades indianas que, a seu
ver, merecem destaque?
A civilização indiana tem uma quantidade impressionante
de pessoas que contribuíram para construí-la ao longo
de cinco milênios: no século XX, admiro o poeta Rabindranath
Tagore, prêmio Nobel , que tem uma percepção muito
clara sobre o papel de sua terra-mãe. Krishnamurti, Vivekananda,
Rajneesh, Ramakrishna, Dayananda, e muitos outros mestres também
tem um trabalho admirável, que se nutre da Vedanta, o conhecimento
dasescrituras sagradas, escrita há milhares de anos.
5. No campo do pensamento e ação política e social,
quem se destaca, na Índia?
Além do Mahatma Gandhi, que aplicou a não-violência
e a satyagraha - experiência com a verdade - na luta pela Independência
da Índia, me impressiona o trabalho de Sri Aurobindo. Seu pensamento
político e social mostra visão prospectiva, lucidez..
Muito antes da independência indiana em 1947, ele já a
considerava um fato inexorável e passou a trabalhar sobre as
questões globais e planetárias. Quando tomei contato com
sua obra, em Pondicherry, onde está estabelecida sua comunidade
ou ashram, tive a sensação de que seria necessária
mais do que uma vida para dominar todo aquele conhecimento. Também
existe na Índia uma vasta experiência de ativismo social,
para minorar as condições de pobreza e há grandes
especialistas nesse campo, como o prêmio Nobel, economista Amartya
Sen, e a ativista sócio-ecológica Vandana Shiva. Satyajit
Ray é um cineasta com uma obra admirável; Deepak Chopra
e V.S. Naipaul, são escritores indianos atuais, conhecidos no
ocidente.
6. Qual a importância da Índia no atual cenário
internacional?
A Índia tem forte inserção na política
mundial por sua peculiaridade histórica. Trata-se de um país
que, apesar de ter sido invadido por vários povos, não
se deixou destruir nem perdeu seus valores e tradições.
Ressalta também a sua posição geográfica
privilegiada. As grandes navegações do século XV
e XVI tinham por objetivo descobrir uma rota marítima para as
Índias, riquíssima em especiarias e na produção
de tecidos e de seda, bens muito valiosos à época. Nos
dias atuais, constitui um pólo regional, na Ásia, com
forte presença política, demográfica e econômica.
A Índia tem uma classe média de 200 milhões de
pessoas e níveis educacionais de excelência, o que lhe
permite, por exemplo, ser um dos maiores exportadores mundiais de softwares,
os quais alimentam a atividade central no século XXI e da era
do conhecimento, que é a informática.
7. E quanto às relações da Índia com o
Brasil?
Vejo a aproximação consciente do Brasil à Índia
como um componente necessário para completar uma construção
ainda inacabada e em processo, que é a sociedade brasileira.
A Índia é um parceiro valioso ao qual o Brasil poderia
se aliar. Muitos brasileiros já têm, por iniciativa própria,
procurado estabelecer tais vínculos. Mas esse filão é
muito rico, pode trazer muitos benefícios e pode ser explorado
de forma mais organizada, institucionalmente, envolvendo governos e
empresas. O Brasil é uma nova civilização emergente
que poderia ter maior autonomia em relação a órbita
da sociedade ocidental insustentável e co-evoluir com a civilização
indiana, que soube ser sustentável e que adotou valores humanos
como a tolerância e o respeito à diferença. É
preciso abrir a agenda de reflexão e ação sobre
essa cooperação sul-sul e valorizá-la. Trata-se,
ainda, de um tema periférico, sobre o qual se desenvolve muito
pouca atenção e pesquisa.
8. No contexto atual da globalização, a intensificação
de relações Brasil-Índia tem alguma importância?
O Brasil é uma civilização emergente com muita
energia vital; a Índia é ancestral, com um patrimônio
acumulado de sabedoria impressionante. O velho e o novo podem se complementar.
Aloísio Magalhães, o grande designer brasileiro, dizia
que quanto mais se puxa para trás o elástico do estilingue,
mais longe a pedra é arremessada. A perspectiva histórica
vista a partir de uma civilização milenar pode ajudar
a fazer uma prospecção de longo prazo, em direção
à sustentabilidade da civilização do século
XXI. A contribuição de pensadores indianos, como Sri Aurobindo,
é fundamental nesse contexto.
9. Por que estreitar relações com a Índia e como
se pode fazer isto?
Em primeiro lugar é preciso mudar a percepção
e a consciência. Enxergar a existência dessas duas civilizações,
numa visão a partir do ângulo sul do planeta, fato que
nem sempre é visualizado. Assim, por exemplo, Samuel Huntington,
em seu conhecido livro O Choque de Civilizações, não
destaca a civilização brasileira, incluindo-a como parte
da latino-americana. Isso reflete a falta de percepção
de um fenômeno novo, a civilização tropical emergente,
já ressaltada por autores como Darcy Ribeiro. Até mesmo
Fritjof Capra, quando fala da ascensão e queda das antigas civilizações
e da curva rápida de ascensão e queda da atual era do
combustível fóssil, mostra a Grécia e o Egito,
mas se esquece da Índia. São percepções
a partir do ângulo de visão do norte. Sendo os dois maiores
países tropicais do mundo, há muitas similaridades climáticas
e ecológicas que facilitam o intercâmbio de espécies
animais e vegetais. Há muitas diferenças no processo histórico
e cultural de desenvolvimento dessas duas sociedades e nesse fato reside
uma potencialidade de fertilização mútua. Na Índia
se faz um aproveitamento muito mais integral dos recursos naturais,
reduzindo os desperdícios. Isto é fundamental num país
como o nosso, que vive um paradoxo: o desperdício de alimentos
é tão grande quanto a fome entre os mais pobres... Cito
apenas um exemplo para ilustrar: o coco da Bahia, que temos em abundância,
e que é originário da Índia, tem, em Kerala, estado
do sul indiano, todos os seus subprodutos aproveitados e não
apenas a polpa ou a água. O mesmo se pode verificar com o rebanho
bovino. A tão decantada expressão “vaca sagrada”
tem sua razão de ser num fato objetivo: na Índia, aproveita-se
tudo do gado vivo, até mesmo as fezes, que servem de combustível
para cozinhar... Por que, então, matar a “galinha dos ovos
de ouro?” .
14.A sacralização dos animais tem relação
com uma visão de mundo sustentável?
Com relação às espécies animais, faz-se
na Índia um uso intenso dos animais vivos – para o transporte,
o arado e o adubo. As vacas foram sacralizadas e o vegetarianismo é
um hábito alimentar com conseqüências positivas do
ponto de vista da ecologia energética. Já no Brasil o
animal morto é que tem maior valor econômico. Os fazendeiros
de gado zebu trouxeram da Índia espécies que se aclimataram
muito bem no Brasil, mas que precisam de choque de sangue, para melhorar
a sua qualidade, o que é feito pela importação,
muitas vezes clandestina, de sêmen bovino. Uma vez encontrei na
Índia um juiz de concursos de gado de Uberaba, Sr. Pylades Prata
Tibery, já nos seus 80 anos, embrenhando-se no interior do país
em busca de matrizes de touros que pudessem fornecer o sêmen necessário
para esse choque de sangue.
10. O senhor quer dizer que o Brasil pode aprender muito com a Índia?
Sim, é isso. Penso que o Brasil pode aprender com a Índia
a aproveitar mais integralmente os recursos naturais, a implantar políticas
que reduzam as desigualdades sem sacrificar a liberdade, a reduzir a
violência e a criminalidade por meio do desenvolvimento de valores
espirituais, a valorizar mais seus bens, hábitos e tradições
culturais.
12. Em que pontos essa aproximação pode beneficiar a política
ambiental?
Essa aproximação pode ensinar sobre a reverencia, cuidado
e respeito para com a natureza a natureza e os valores humanos desenvolvidos
na civilização indiana, que facilitaram com que ela perdurasse
durante milênios de história, com baixa degradação
ambiental. A sociedade contemporânea e especialmente o Brasil,
precisam desenvolver valores que ultrapassem o mercantilismo, a coisificação
da natureza e sua transformação predatória em mercadoria.
Na Índia podemos buscar modelo alternativo para fazer mais com
menos recursos. Com um bilhão de pessoas e muita pobreza, existe
na Índia um conhecimento de como viver com pouco capital e o
desenvolvimento de práticas, de experiências e de conhecimento
que constitui uma riqueza cultural, civilizatória. Além
da mudança de percepção e consciência, é
necessário traduzi-las em palavras e em ações.
Tomar iniciativas – individuais e coletivas - no campo da cultura,
artes, filosofia, também no campo comercial, científico
e tecnológico. A intensificação dessas relações
pode ser induzida e impulsionada de forma consciente.
13. Pode-se dizer que a Índia é uma civilização
sustentável?
O conceito de dharma, que é essencial para compreender a Índia,
tem raiz no Sânscrito que significa sustentar, manter. Esse é
um conceito instigante, com muitos significados, pouco conhecido no
ocidente e faz parte de uma matriz cultural diferente. A dharmacracia
seria a forma de governo baseada na aplicação do dharma,
e difere da democracia de direitos que se persegue nos regimes políticos
ocidentais mais abertos. Direitos e deveres são conceitos ocidentais
e realizar um esforço de compreensão transcultural é
uma das tarefas para promover real aproximação. O pensamento
prospectivo e livre desenvolvido naquela sociedade pode oferecer pistas
para superar e transcender os impasses civilizatórios contemporâneos,
que nos levam a guerras e destruições. Baseada no seu
dharma, aquela civilização soube sustentar-se por milênios
e pode oferecer contribuições valiosas para um mundo que
enfrenta alguns impasses da viabilidade da sobrevivência de nossa
espécie. Seu lema é a Unidade na Diversidade, pois é
um país extremamente variado culturalmente. Seu símbolo
é a flor de lótus, pura e bela nascendo do lodo. A relação
com o tempo é diferente da nossa e um ensinamento achado na rua
dizia que “quem perdeu a paciência, perdeu a batalha”.
Paciência, neste sentido, é a ciência da paz.
15. Por que o seu novo livro se intitula Tesouros da Índia?
Aquela civilização desenvolveu uma filosofia e estilos
de vida amigáveis e pouco agressivos em relação
à natureza. Essa sabedoria é um tesouro valioso para o
mundo contemporâneo ameaçado de tornar-se insustentável
pela falta de tais valores e dos correspondentes estilos de vida. A
Índia desenvolveu a inteligência espiritual.
16. Por que o senhor diz, no livro, que a Índia pratica a inteligência
espiritual?
Hoje, além do quociente intelectual (QI) e da inteligência
intelectual, estudam-se vários tipos de inteligência, como,
por exemplo, a inteligência emocional. A inteligência espiritual
é um tipo de inteligência que faz uso não só
das capacidades racionais, mas também das capacidades intuitivas,
emocionais, da sensibilidade. Entre os sinais de inteligência
espiritual estão o elevado grau de autoconhecimento, a independência
e autonomia para seguir as próprias idéias, flexibilidade,
a relutância em causar danos aos outros, a capacidade de enfrentar
a dor e de aprender com o sofrimento, de se inspirar em ideais elevados,
de aplicar princípios espirituais no dia-a-dia, de estabelecer
conexões entre realidades distintas. É a inteligência
espiritual que ajuda a encontrar sentido na vida, paz e tranqüilidade.
A Índia foi a sociedade que mais desenvolveu a inteligência
espiritual, que constitui um patrimônio de valor inestimável
para a sobrevivência e evolução da espécie
humana.
17.Como foi o método de trabalho para elaborar o livro Tesouros
da Índia?
Na primeira parte do livro procuro traçar um retrato aberto
da Índia. Na segunda parte, desenvolvi o estudo comparativo.Procurei
trabalhar no nível micro, de uma aldeia e um município,
considerando-os como células básicas de suas sociedades.
Foi como trabalhar numa célula, cujo DNA contém elementos
do todo do organismo ao qual pertence. Complementarmente, trabalhei
as possibilidades de intercâmbio na escala nacional e, em termos
futuristas, quais as convergências necessárias na escala
global.
18. Quais as semelhanças entre a sua obra anterior, o livro
Ecologizar, e os Tesouros da Índia?
Ambos foram escritos a partir de vivências práticas, do
trabalho cotidiano, de imersão cultural e estudos de campo, aliados
a reflexões teóricas, leituras.. Ecologizar foi um livro
escrito para facilitar a ação ecológica, organizando
princípios, métodos e instrumentos de ação
de forma clara, para facilitar seu uso e aplicação por
quem se interesse em ecologizar a sociedade ou sua própria vida.
Tesouros da Índia procura organizar conhecimentos que facilitem
àqueles que se interessem em estabelecer tais vínculos
e em explorar o desconhecido de outros universos civilizatórios.
Uma mesma energia os move: procurar organizar uma visão de mundo
que dê maior efetividade à ação prática
ecologizadora, seja individual ou coletiva.
19. Como Tesouros da Índia se encaixa na proposta de ecologizar
a sociedade?
Ecologizar a sociedade é mudar a matriz cultural e de valores,
mudar a qualidade da energia que impulsiona as ações individuais
ou sociais, num sentido de maior integração e menor agressividade
ou destrutividade em relação ao ambiente e também
entre as pessoas. Garimpar e trazer à luz os tesouros culturais
de uma civilização que perdurou por milênios é
uma das formas de facilitar e impulsionar essa ecologização
da sociedade brasileira. As guerras envolvendo o ocidente e o oriente,
o novo governo brasileiro com uma postura de inserção
internacional mais ativa, a perspectiva de realização
do Fórum Social Mundial na Índia em 2004, são alguns
fatores conjunturais que tornam oportuna a expressão de tais
idéias e a proposição de novas ações
de intercâmbio.
20. O que o senhor espera que sejam os benefícios desse novo
trabalho?
Esse trabalho é um pequeno componente na construção
de uma ponte entre duas culturas e civilizações ainda
bastante isoladas entre si e que têm potencialmente muito a se
beneficiar da cooperação e do intercâmbio. Ao mesmo
tempo, ele procura ter uma visão propositiva de uma terceira
geração de instituições internacionais,
que substituam as de segunda geração (a ONU), que por
sua vez substituiu as de primeira geração (a Liga das
Nações). Esse é o tema tratado na terceira parte
do livro.
21. A terceira parte do livro fala de cenários para o futuro.
Como o senhor os vê?
A terceira parte do livro trata de uma visão futurista, baseada
no federalismo mundial, na necessidade de evolução política
da humanidade. A matriz da civilização ocidental que dominou
o século XX não é sustentável a longo prazo,
porque se baseia na exploração sem limites de recursos
materiais e energéticos, e porque precisou dominar pela força
e colonizar outros territórios, sugando e parasitando seus recursos.
A dominação pela força e pela violência não
é sustentável, produz ressentimentos, ódios, sede
de vingança pelas mortes e sofrimento. A partir de um certo momento,
os novos problemas e questões não podem mais ser resolvidos
por estruturas e concepções políticas e filosóficas
que se adequavam a situações anteriores. É preciso,
a partir da idéia de repensar as instituições globais,
e de promover aprimoramentos incrementaisnuma estrutura, substituí-la
por outra com arquitetura mais adequada. Esse é o ponto de partida
para conceber e construir instituições internacionais
de terceira geração. Já existem exercícios
de formular o futuro em laboratórios de pensamento político
e um deles – aliás, dos mais interessantes - consiste numa
minuta de Constituição para a Federação
do planeta Terra, elaborada por movimentos não-governamentais
que se interessam pelo Federalismo Mundial.
22. Quais são as principais características dessa Constituição
Planetária?
A Constituição Planetária é um exercício
de imaginar e projetar em escala mundial o que será essa arquitetura
política global. Antes de construir uma nova cidade ou edificação,
e sempre bom ter um projeto claro, para evitar custos e para proporcionar
ao final maior funcionalidade e beleza. Há um exemplo histórico
disso na elaboração da Constituição dos
Estados Unidos. Quando as treze colônias americanas se tornaram
independentes da Inglaterra, precisaram elaborar uma Constituição
Comum. As discussões eram difíceis, até que o representante
de uma delas, Charles Pinckney, da Carolina do Sul, trouxe uma minuta
de proposta de Constituição. A partir daí ela se
tornou a referência e catalisou as demais propostas, resultando
então no que veio a ser a Constituição dos Estados
Unidos. Isso é o que se propõe com a Constituição
Planetária: um exercício de liberdade de imaginação
e pensamento, que explore a possibilidade de novos modelospolíticos
e jurídicos e de organização institucional mundial.
Por enquanto, esse exercício não teve apoio de qualquer
governo e é visto com desconfiança por eles, porque significa
uma mudança de paradigma em relação aos estados-nação,
mas tem a simpatia de organizações da sociedade civil
mundial que praticam a ação global. Entre os dispositivos
centrais dessa Constituição estão a criação
de uma Agência para a prevenção das guerras e o
desarmamento, bem como a criação de uma Câmara dos
Povos ao lado da Câmara das Nações, que corresponde
ao atual plenário da ONU, no qual as Nações
Unidas são representadas formalmente pelos governos nacionais.
Hoje, tornou-se necessária uma instituição dos
povos unidos, com representação mais forte da sociedade
civil, se quisermos de fato trabalhar por um futuro com redução
dos riscos de guerras e com maior sustentabilidade.
Mauricio Andrés Ribeiro
www.ecologizar.com.br